segunda-feira, 9 de novembro de 2009

MEU PÉ DE LARANJA LIMA

pra quem seguiu essa dor até o começo, saiba que a partir de então ela foi dividida com os transeuntes.

MOLEQUE DE VESTIDINHO X JECE VALADÃO

- como faço pra conseguir o primeiro beijo?
- ele tá te esperando no portão de uma casa que é de parede e meia com a do miles davis.
- queria sentar com você naquele tambor que beijou o porta-malas.
- hoje esse lugar me recebeu com tão pouco caso, que eu esqueci que aquele tambor era azul.
- almoçou na avó da julieta venegas?
- almocei num papel alumínio.
- me explica essa fúria.
- o vale encantado não me deu boas-vindas.
- me mima.
- amanhã levo café na sua cama, depois te boto no banho e vou cuidar da sua roupa. tudo isso vestida num charmoso conjunto amarelo de xadrez vick.
- você acha que eu devo pedí-la em casamento?
- não tenho mais onde enfiar os anéis.
- como oficializamos então?
- eu compro dois ouros brancos e esculpimos de acordo com os anelares. cerimônia simples, só para quem prefere eles ao sonho de valsa.
- prefiro anéis crocantes.
- não me venha com coisa de quinta.
- torrone se encaixa em qual dia da semana.
- na quinta, claro.
- se eu ressuscitar o feitiço, você oficializa nosso romance?
- faremos sexo seis vezes por noite.
- pede pra ficar comigo.
- e se você estiver eufórico? eu jamais plotaria a palavra euforia numa camiseta.

domingo, 8 de novembro de 2009

DA ORIGEM DAS COISAS E OUTROS EMBLEMAS

- desde quando fugiu daqui com seu cooper branco, as coisas não melhoraram tanto.
- cooper branco seu cu. desde que eu fugi daí com meu jeans largo, é mais cool.
- desde quando você pegou seu colete de charlotte hornes preto, a colheita não foi produtiva.
- eu não usava colete, seu falho, eram polainas. lilás como as da baby.
- por que tanta chibatada em minha tatuagem?
- é que essa menina de rabinho sempre olha pra mim com cara feia. eu sempre tenho que proteger os grandes olhos que te dei essa manhã.
- é que ela quer levar as lindas sobrancelhas como acompanhamento dos belos olhos.
- a sobrancelha agora é sua. cole nela, se quiser.
- doa se inteira vai.
- eu tenho que esperar o período de euforia.
- se eu te der um rodook você se declara para mim?
- qual modelo?
- red flash.
- prefiro o anterior, camurçado.
- e o max jones?
- ainda prefiro o texano, chuck norris na boleia.
- pode ser um M2000 renault pegeout?
- nada disso, é muito masculino.
- ou um niko modelo puig.
- olho no olho? entra pra lista das que eu-não-queria-parar-a-brincadeira-pra-vir-assistir. estoy encantada por ti, muchacho.
- está encantada. me passa uma cantada.
- vem dormir no meu travesseiro de gato xadrez.
- deixa?
- ofereço estrelinhas no teto, com a mônica na aeoronave. que tal?
- que ano?
- esse.
- amanhã eu vou lá hoje.
- é tarde, arranjei outro amor.
- ele não saberia transformar você num chafariz.
- mas sabe transformar num regador, com pretensões de chafariz, que eu prefiro.
- percebe-se uma lágrima no olho esquerdo.
- errou, nos dois.
- e se eu te der uma pochete da HD?
- eu tenho uma da benetton, amarelo ovo. como eu queria que fosse o cabelo da débora blando.
- como você me mima?
- entrando nas suas camisetas.
- cabe duas de você, então tem que me mimar duplamente.
- mimarei mais quando entrar em seus tênis africanos.
- e seu te der um shortinho da sex machine, com olhos na bunda?
- eu te arrebento porque no verão de 98, vendo 27 bundas passarem com esse olhar, meu amigo exclamou: não precisa se portar como tal, que quer dizer, como o que se é.

FER, OLHA

Não estou indo investir em ações, mas torça para que eu volte duma dessas idas e vindas de lá com alguém que aceite dormir no vão entre a minha cama e a sua. Eu sei onde ele mora, sei seu endereço, só não sei se ele merece que eu fique por lá.

Se encontrar aquela moça prazenteira que vem molhar nossa roseira, apresente-a aos cômodos da casa e sirva bem ao caixeiro-viajanete que a trouxe até você.

Do mais, vou com saudades. Se fixar só, o milton tá no radinho. Te amo tonight.

06/maio/2009

FER, FUI

Com muita cortesia, o mozart mandou tocar Gran Partita. Iurru!!!!.

Torça com unhas, dentes e pentelhos para que eu me engrace com algum diretor de teatro ou algum "grande ator emergente", com a melhor interpretação de hamlet que está por vir.

Comporte-se. Ouça boas músicas. Tome conta delas. Não limpe o nariz na toalha. Não beba no bico da garra, que eu descubro e importune o miles davis e sua senhora, par alargar a mão de ser besta. Mande um beijo para quem vier nos visitar. Saiba o que fazer coma caixinha de bom parecer.

Saudações.

16/julho/2009

domingo, 27 de setembro de 2009

CATALOGAÇÃO

ele está na sala debruçado sobre a mesa escrevendo amenidades sobre mim com letras bem miudinhas. vez ou outra rabisca e começa de novo. é a tentativa de adeus mais orquestrada dessa última temporada. ele pede o papel, diz que tem a caneta e dá a entender que o bilhete é pra mim.

*

ele está deitado no chão, ouvindo the mamas & the papas e correndo os olhos sobre mim. dali a pouco vai dizer que não tem mais saco pra um monte de coisa, que esse seu tempo já passou. mas ela entende o que quer entender e diz que também se arriscou. cada um diz mais duas ou três coisas. depois de uma, duas ou quatro semanas ela dá adeus enquanto atravessa o corredor, para o adeus que ele tinha dito naquela noite de sexo tão solene.

*

ele está com os olhos rasos e um poema na cabeça. ela está com uma rave no estômago, com o livro do poema e zonza. ela diz: vou, ele observa. depois ela vai e o dia fica parado o dia todo às 9 em ponto da manhã.

*

ele está com roupa de gala e não me reconhece muito bem. ela está com roupa de gala e pede pra que ele comece. então ele diz adeus pelos dois. e o fim que chegou há um mês, chega de novo.

*

ele não veio se despedir. aliás, nunca se despede, nem quando vai embora. encosta os lábios no que tiver ao alcance e não se sabe se ele vai ali pegar o isqueiro ou se vai passar a luz de mel há 3000 km dali. então volta e meia eu me despeço por conta, para nunca mais ou até amanhã.


*

o tal do infinito enquanto dure.

PORTA DA GELADEIRA

Quando eu os amarei?
De minha parte, eu não sei.
Pode ser nunca. Pode ser amanhã.

(Carmen, de Bizet)

terça-feira, 25 de agosto de 2009

VERDE Q-BOA.

Eu te vomitei, minha morte, junto com uma sopa de legumes mal cozidos. Vomito quantas vezes mais precisar que você saia, seu demônio de verde-veludo.

sábado, 15 de agosto de 2009

FM

adoro o coletivo "ramalhete" pronunciado silabicamente, às terças-feiras. do mesmo modo, recuso essa solidão de quando a luz se apaga eu de novo em casa sofrendo de amor por.. (leandro e leonardo).

segunda-feira, 29 de junho de 2009

T DE TERNURA

o pé de laranja lima é mais repositor de ternura do que vitamina C.

domingo, 28 de junho de 2009

JÔ OLIVEIRA

Ele era daqueles velhos que a gente pensava que nunca ia sentir falta quando batesse com as caçuletas. Ralhava porque a gente guardava os bigatos de estimação na horta e gastávamos a água da bica lavando os porcos que estavam da cor do terrerão.
Todo dia ele falava:
- Espera chover pra lavar a roupa, muié. Espera chover pra tomar banho, menina. Que mania é essa de tanto beber água? – dizia ele.
Até quando ele tomava o remédio da pressão, fazia cuspe na boca pra não gastar água tendo que engolir o comprimidinho, que ele cortava em quatro partes pra durar mais. O povo lá do Imbé chamava ele de muquirana, nem sei o que é isso.
Um dia ele ficou com as vistas fracas, porque todo dia ele esquecia e relava a cabeça bem no pé de jabuticaba que tinha piolho de galinha, quando ia entrar na casa.
Daí a Candinha falava:
- Ahhhhh, o vô vai botar ovo na cabeça. Vô, cria um pintinho pra mim debaixo do seu chapéu?
E ele sempre no seu boquejar de velho que tá bravo:
- @#$%*&%$#@ - resmungava.
Um dia meu irmão fugiu de casa e minha mãe o encontrou almoçando na casa do velho. Ele tinha mandado fazer polenta com alface. Minha mãe falava que era porque ele não queria gastar o frango, mas eu achava mesmo que ele tinha medo que os frangos acabassem e ele tivesse que fazer ninho em cima do chapéu.
Um dia, dona Rosa acordou faceira como de costume e não ouviu ele boquejar. A história que a gente sabe é que Deus lá de cima falou que se ele morresse aquele dia não ia precisar pagar a viagem e nem o aluguel da casa celestial. Foi por isso que ele foi embora sem dar tchau.

Folha Caipira
São José do Rio Preto
Há Alguns Anos