Ele era daqueles velhos que a gente pensava que nunca ia sentir falta quando batesse com as caçuletas. Ralhava porque a gente guardava os bigatos de estimação na horta e gastávamos a água da bica lavando os porcos que estavam da cor do terrerão.
Todo dia ele falava:
- Espera chover pra lavar a roupa, muié. Espera chover pra tomar banho, menina. Que mania é essa de tanto beber água? – dizia ele.
Até quando ele tomava o remédio da pressão, fazia cuspe na boca pra não gastar água tendo que engolir o comprimidinho, que ele cortava em quatro partes pra durar mais. O povo lá do Imbé chamava ele de muquirana, nem sei o que é isso.
Um dia ele ficou com as vistas fracas, porque todo dia ele esquecia e relava a cabeça bem no pé de jabuticaba que tinha piolho de galinha, quando ia entrar na casa.
Daí a Candinha falava:
- Ahhhhh, o vô vai botar ovo na cabeça. Vô, cria um pintinho pra mim debaixo do seu chapéu?
E ele sempre no seu boquejar de velho que tá bravo:
- @#$%*&%$#@ - resmungava.
Um dia meu irmão fugiu de casa e minha mãe o encontrou almoçando na casa do velho. Ele tinha mandado fazer polenta com alface. Minha mãe falava que era porque ele não queria gastar o frango, mas eu achava mesmo que ele tinha medo que os frangos acabassem e ele tivesse que fazer ninho em cima do chapéu.
Um dia, dona Rosa acordou faceira como de costume e não ouviu ele boquejar. A história que a gente sabe é que Deus lá de cima falou que se ele morresse aquele dia não ia precisar pagar a viagem e nem o aluguel da casa celestial. Foi por isso que ele foi embora sem dar tchau.
domingo, 28 de junho de 2009
JÔ OLIVEIRA
Folha Caipira
São José do Rio Preto
Há Alguns Anos
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1 comentários:
chegando no céu, mal entrou pelo portão principal encontrou Deus e se apercebeu na hora de que ele era mineiro:
-- Chegou direitim,né, meo véio? conforme o combinado não tem custo pra pagar por viage nem estadia. Mas decerto lhe disseram que aqui paga pra dormi e pra acordá. se acordá com sede danou-se, porque também isso por aqui se paga! pela vista da bica e pelo copo d'água...
gostei do seu texto!
abração!!
Nhá Barbina
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