A Nana tá cantando o adeus que se adia, num bolero. Adiou o meu, deve ter se adiado o dela e o de alguém que pra Dolores também compôs. Ela canta vários adeuses, afirmando que é espontâneo o adeus seriado, que não se faz numa tomada. Despedidas aos poucos, é pouca, pra poucos.
Mais uma vez as coisas abanam as mãos do lado de lá e eu sacudo as minhas do lado de cá. - Alô, senhor de Neruda, eu agora tenho um cabelo de tampão-da-mesa-de madeira-de-lei-da-minha-própria-casa-há-alguns-anos pra combinar com o dias furta-cor. A Loreal prova por tom sobre tom que nada dura tanto quanto as frutas da estação.
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
VESTI O CABELO DE DIONNE WARWICK
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
TECLA SAPE
É que não sei ver o verdinho das gramas, as figuras propositais em tantos céus, saber que o sol sorri, que o amor canta em sinos e que tanta breguice tem alvará para ser um porre. Quando vou enxergar o sol radiante, a luz dos seus olhos ou qualquer outro clichê de amor e dor, passam a frente, como cheerleaders, unicórnios, gauguins mancos, lavagem para os porcos que peidam e seus modelos punks. No mais, não sei desenhar e não gosto de cor-de rosa e pelúcia.
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
CONTANDO NOS DEDOS
Daqui a três meses, durante 45 dias, só depois de seis meses, válido por dois anos, depois do dia 25, são vinte e quatro parcelas, mais dez sessões. Tem alguém olhando e achando graça do esplendor da dor.
- o homem com uma dor é muito mais elegante/caminha assim de lado/ como se chegando atrasado andasse mais adiante - leminski disse, itamar repete.
O Du ligou. Voltava pra casa caminhando. Lembrou do pão. Pedimos das nossas famílias. O presente da Duda continua embrulhado. Mandamos lembranças a eles. Combinamos o café no meio da tarde. É o mesmo papo da semana antes deste carnaval. A última vez que te vi, Du, você usava a camisa do Brasil num domingo bem de tarde, a Duda ainda não era da família. André, Douglas, Dani, Luísa e Kauã. Onde você estava em junho de 2006? Existem domingos com jeito de terça, aquele era. Esse tem aura de macarrão com tubaína e bolas azuis de tristeza.
Em caso de dor ponha gelo
Mude o corte de cabelo
Mude como modelo
Vá ao cinema dê um sorriso
Ainda que amarelo, esqueça seu cotovelo
Se amargo foi já ter sido
Troque já esse vestido
Troque o padrão do tecido
Saia do sério deixe os critérios
Siga todos os sentidos
Faça fazer sentido
A cada mil lágrimas sai um milagre
Em caso de tristeza vire a mesa
Coma só a sobremesa, coma somente a cereja
Jogue para cima, faça cena
Cante as rimas de um poema
Sofra penas, viva apenas
Sendo só fissura ou loucura
Quem sabe casando cura
Ninguém sabe o que procura
Faça uma novena reze um terço
Caia fora do contexto invente seu endereço
A cada mil lágrimas sai um milagre
Mas se apesar de banal
Chorar for inevitável
Sinta o gosto do sal do sal do sal
Sinta o gosto do sal
Gota a gota, uma a uma
Duas, três, dez, cem mil lágrimas sinta o milagre
A cada mil lágrimas sai um milagre
(itamar)
- o homem com uma dor é muito mais elegante/caminha assim de lado/ como se chegando atrasado andasse mais adiante - leminski disse, itamar repete.
O Du ligou. Voltava pra casa caminhando. Lembrou do pão. Pedimos das nossas famílias. O presente da Duda continua embrulhado. Mandamos lembranças a eles. Combinamos o café no meio da tarde. É o mesmo papo da semana antes deste carnaval. A última vez que te vi, Du, você usava a camisa do Brasil num domingo bem de tarde, a Duda ainda não era da família. André, Douglas, Dani, Luísa e Kauã. Onde você estava em junho de 2006? Existem domingos com jeito de terça, aquele era. Esse tem aura de macarrão com tubaína e bolas azuis de tristeza.
Em caso de dor ponha gelo
Mude o corte de cabelo
Mude como modelo
Vá ao cinema dê um sorriso
Ainda que amarelo, esqueça seu cotovelo
Se amargo foi já ter sido
Troque já esse vestido
Troque o padrão do tecido
Saia do sério deixe os critérios
Siga todos os sentidos
Faça fazer sentido
A cada mil lágrimas sai um milagre
Em caso de tristeza vire a mesa
Coma só a sobremesa, coma somente a cereja
Jogue para cima, faça cena
Cante as rimas de um poema
Sofra penas, viva apenas
Sendo só fissura ou loucura
Quem sabe casando cura
Ninguém sabe o que procura
Faça uma novena reze um terço
Caia fora do contexto invente seu endereço
A cada mil lágrimas sai um milagre
Mas se apesar de banal
Chorar for inevitável
Sinta o gosto do sal do sal do sal
Sinta o gosto do sal
Gota a gota, uma a uma
Duas, três, dez, cem mil lágrimas sinta o milagre
A cada mil lágrimas sai um milagre
(itamar)
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
VOLVER A LOS 17 AÑOS
Curo insônia, náuseas, cãibra, gases, fatalidades e amenidades, entre outras dejetos, com uma colherada de cor púrpura e figurinos de almodóvar.
Da série: Coisas que pararam de doer agora há pouco para outras começar a usar band-aid.
Da série: Coisas que pararam de doer agora há pouco para outras começar a usar band-aid.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
FILA DO REPETECO
Domingo, 4 de Maio de 2008
MALWEE, NÚMERO 16, USAR SABÃO NEUTRO
O cão tá parecendo um sem dono, dormindo com a fuça dentro de um Luiz XV mofado, resgatado ainda há pouco do armário. Ele encontrou o vão entre a roda da cadeira e o sapato jogado no canto e se acomodou. Ele só dorme no vão e com a fuça também acomodada.
É o segundo dia da trinca: meia, moleton usado desde 97 e creme para as mãos. Não vejo muitas perspectivas num dia como este.Em dias assim, não enxergo nada adiante. É o fim da minha vida em dias como esse. É como o último capítulo do livro que sei que não terei mais tempo de ler nessa vida, o último dia da festa que começou na quinta-feira, a despedida na casa dos tios, em janeiro de 91.
Em dias assim, eu morro sem dor. Não sirvo para muita coisa. Não sei tossir, não sei chorar. Não sei retribuir sorrisos. Não abano a mão na rua. Não espero pelo que sei que vem. Não acho bonita as broas de milho. Nem gizes de cera comestíveis me trariam qualquer boa notícia. Menos ainda incenso para uso individual, a criação que espero há séculos.
Sou morta em dias como esse. É assim desde que eu passava as tardes com Adora, Simoninha e Pepita. Quero ficar morta hoje. Enquanto esse inverno garoante não passar, com noites caindo ainda às seis, continuarei morrendo nesses dias.
Eu quero uma coisa que ninguém é capaz de me dar. Ninguém nem pode saber o que eu quero. Eu quero coisas que queria desde o tempo que conversava com Adora, Simoninha e Pepita.Eu nunca pedi bonecas duradouras, meus sonhos sempre foram os mesmos.
Eu troco algumas coisas por essa coisa que quero tanto. Eu leiloo certas coisas por essa coisa que quero agora. Ordenes e farei, pois hoje estou morta aqui. Tem uma coisa doendo. Tem uma coisa lembrando de outra que aconteceu. A capa do livro, nenhuma música e três mudas de roupa de cada um para lembrar e nenhuma confidência desesperada de quem age com paixão pela última vez.
Você é capaz de adivinhar? Eu não sou capaz de falar o que eu estou querendo. Já fui capaz de escrever cartas ao nove e dizer que queria ainda ontem, mas hoje não tenho coragem. Pode ser que eu queira menos daqui a duas semanas, pode ser que eu fique doente porque quero muito mais, pode ser.
Hoje quero ter cólica, tomar morfina e acordar amanhã às sete com febre. Hoje meu suicídio é com arco e flecha. Eu quero uma coisa que duas pessoas têm.
Lembrava de já ter tido um dia assim, com pouca ou nenhuma perspectiva e um pacote até a boca de tédio. Era um verão do ano seguinte ao que mestruara pela primeira vez. Deitada de bruço no alto de um escorregador, de um parquinho parecendo a casa dos três porquinhos que o lobo bobo assoprou pela segunda vez, ela pensava se nos próximos dez anos teria um outro dia assim, chinfrim.
Pensou em Collor, se a vida dela seria mais engraçada do que a dele. Se poderia ter a vida que ele tinha, pensou em um monte de coisas, pensou. Mas pensou principalmente no Collor e naquela faixa verde e amarela com uma dália na ponta, que ele usava na posse ou no sete de setembro.
Em um dia como este, há muito tempo, ela viu um dos filmes que mais gostava pela segunda vez, mas era um sábado e não uma quinta. Há muitas quintas, ocorridas dois anos atrás, ela mantinha encontros frenéticos, alimentava paixões capengas, encarava sem adeus as despedidas e nunca tinha dito que gostava. Por causa disso, somatizou ansiedade na boca do estômago e sempre vomitava nas sarjetas, antes de ir pro abate.
Perdi um dia, não vi a cara da rua. Quando fizer o saldo dos anos, revendo um calendário que ficou ali por acaso, não terei nada para contar sobre esse dia. Nenhuma violência cometida contra mim, nenhuma conferida no holerite do mês passado, nenhuma coisa que valesse para os dias seguintes desta vida...
Não me arrisco em dias assim. Uso poucas palavras: tudo bem e tanto faz. Cheguei a sair de casa nesse dia tão assim. Foi pra comprar meias vermelhas de algodão com fim terapêuticos, eu que inventei essa calmaria. Cruzei também a porta da frente para saber onde irei plantar as sementes de coentro que descolei com um vizinho.
Hoje é o último dia na vida de um quinzilhão de pessoas e elas só serão avisadas mais tarde. Neste momento, elas estão apenas preocupadas com a roupa que não seca no varal, com o motor do carro e se vão casar. No dia que era pra ser o último dia da minha vida, eu fiz bolo de limão e lamentei pelas coisas dos outros.
Amanhã vou saber se sou uma dessas. Mas já sou uma delas hoje...
MALWEE, NÚMERO 16, USAR SABÃO NEUTRO
O cão tá parecendo um sem dono, dormindo com a fuça dentro de um Luiz XV mofado, resgatado ainda há pouco do armário. Ele encontrou o vão entre a roda da cadeira e o sapato jogado no canto e se acomodou. Ele só dorme no vão e com a fuça também acomodada.
É o segundo dia da trinca: meia, moleton usado desde 97 e creme para as mãos. Não vejo muitas perspectivas num dia como este.Em dias assim, não enxergo nada adiante. É o fim da minha vida em dias como esse. É como o último capítulo do livro que sei que não terei mais tempo de ler nessa vida, o último dia da festa que começou na quinta-feira, a despedida na casa dos tios, em janeiro de 91.
Em dias assim, eu morro sem dor. Não sirvo para muita coisa. Não sei tossir, não sei chorar. Não sei retribuir sorrisos. Não abano a mão na rua. Não espero pelo que sei que vem. Não acho bonita as broas de milho. Nem gizes de cera comestíveis me trariam qualquer boa notícia. Menos ainda incenso para uso individual, a criação que espero há séculos.
Sou morta em dias como esse. É assim desde que eu passava as tardes com Adora, Simoninha e Pepita. Quero ficar morta hoje. Enquanto esse inverno garoante não passar, com noites caindo ainda às seis, continuarei morrendo nesses dias.
Eu quero uma coisa que ninguém é capaz de me dar. Ninguém nem pode saber o que eu quero. Eu quero coisas que queria desde o tempo que conversava com Adora, Simoninha e Pepita.Eu nunca pedi bonecas duradouras, meus sonhos sempre foram os mesmos.
Eu troco algumas coisas por essa coisa que quero tanto. Eu leiloo certas coisas por essa coisa que quero agora. Ordenes e farei, pois hoje estou morta aqui. Tem uma coisa doendo. Tem uma coisa lembrando de outra que aconteceu. A capa do livro, nenhuma música e três mudas de roupa de cada um para lembrar e nenhuma confidência desesperada de quem age com paixão pela última vez.
Você é capaz de adivinhar? Eu não sou capaz de falar o que eu estou querendo. Já fui capaz de escrever cartas ao nove e dizer que queria ainda ontem, mas hoje não tenho coragem. Pode ser que eu queira menos daqui a duas semanas, pode ser que eu fique doente porque quero muito mais, pode ser.
Hoje quero ter cólica, tomar morfina e acordar amanhã às sete com febre. Hoje meu suicídio é com arco e flecha. Eu quero uma coisa que duas pessoas têm.
Lembrava de já ter tido um dia assim, com pouca ou nenhuma perspectiva e um pacote até a boca de tédio. Era um verão do ano seguinte ao que mestruara pela primeira vez. Deitada de bruço no alto de um escorregador, de um parquinho parecendo a casa dos três porquinhos que o lobo bobo assoprou pela segunda vez, ela pensava se nos próximos dez anos teria um outro dia assim, chinfrim.
Pensou em Collor, se a vida dela seria mais engraçada do que a dele. Se poderia ter a vida que ele tinha, pensou em um monte de coisas, pensou. Mas pensou principalmente no Collor e naquela faixa verde e amarela com uma dália na ponta, que ele usava na posse ou no sete de setembro.
Em um dia como este, há muito tempo, ela viu um dos filmes que mais gostava pela segunda vez, mas era um sábado e não uma quinta. Há muitas quintas, ocorridas dois anos atrás, ela mantinha encontros frenéticos, alimentava paixões capengas, encarava sem adeus as despedidas e nunca tinha dito que gostava. Por causa disso, somatizou ansiedade na boca do estômago e sempre vomitava nas sarjetas, antes de ir pro abate.
Perdi um dia, não vi a cara da rua. Quando fizer o saldo dos anos, revendo um calendário que ficou ali por acaso, não terei nada para contar sobre esse dia. Nenhuma violência cometida contra mim, nenhuma conferida no holerite do mês passado, nenhuma coisa que valesse para os dias seguintes desta vida...
Não me arrisco em dias assim. Uso poucas palavras: tudo bem e tanto faz. Cheguei a sair de casa nesse dia tão assim. Foi pra comprar meias vermelhas de algodão com fim terapêuticos, eu que inventei essa calmaria. Cruzei também a porta da frente para saber onde irei plantar as sementes de coentro que descolei com um vizinho.
Hoje é o último dia na vida de um quinzilhão de pessoas e elas só serão avisadas mais tarde. Neste momento, elas estão apenas preocupadas com a roupa que não seca no varal, com o motor do carro e se vão casar. No dia que era pra ser o último dia da minha vida, eu fiz bolo de limão e lamentei pelas coisas dos outros.
Amanhã vou saber se sou uma dessas. Mas já sou uma delas hoje...
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
DE CÁ O WHISKY, COWBOY
Nem deu tempo de Chinaski chegar com suas recomendações. Já havia confiado meus dias pouco tônicos a outro companheiro que no futuro ganhou um concurso anual de sósias. Tudo aquilo que pode ser disputado num cuspe a distância, ê velho maneco, serve para poesia, para receituário de aspirina e para atravessar um gargalo depois de doze anos contado às pressas.
Da série: Coisas que começaram a doer agora há pouco.
Da série: Coisas que começaram a doer agora há pouco.
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
UMA COLHER DE PAU DE PÁPRICA E NOZ MOSCADA
Esconderam o sal da comida, estocaram onde eu não alcanço todos os potes plásticos de açúcar, pimenta então? mandaram dizer que não existe mais. Insosso, inodoro, incolor e insípido, a trinca melhorada daquelas coisas que a gente aprende nas primeiras aulas de ciências, antes de saber que não adianta tomar aspiririna quando o coração dói, mais ainda a noite.
Da série: Coisas que começaram a doer agora há pouco.
Da série: Coisas que começaram a doer agora há pouco.
domingo, 23 de novembro de 2008
FECHARAM A PORTA, COM CUIDADO, ÀS TRÊS
Mesmo com a correria diária, o acaso deu conta de colocar pompas e circunstâncias na despedida. Escolheu a exatidão das horas, um domingo, a casa vazia, comida sem sustância e Gardel. Em algum lugar, sempre, alguém não estará usando o desodorante aerosol desde o mês três. A faxineira irá parar de ir às terças-feiras. Uma família com dinheiro aplicado na Caixa estadual deixará de curtir o resto do verão na serra. Já houve em Paris o último tango, a última cruzada, houve até o último dos moicanos. Eterno tem a mesma duração de permanente nos cabelos, disse alguém, há muito tempo, numa revista que nunca mais chegou às bancas.
Da série: Coisas que começaram a doer agora há pouco.
Da série: Coisas que começaram a doer agora há pouco.
terça-feira, 18 de novembro de 2008
PESO LÍQUIDO COM SAL MARGARINA VEGETAL
Lembranças não possuem prazo de validade, assim como insistem em não ter códigos de barras os dias que estão por vir, o mesmo tom do sussurro e os recibos de táxi.
sábado, 15 de novembro de 2008
CASA COM BIDÊ E SEM CARPETE
Ficou parecendo aquele dia de sopa de ginásio no uniforme de ginásio, com saia e meia de ginásio disputando uma semi-final no ginásio. Lembranças se vendem às pencas. Decepções a dúzia e feijão a metro quadrado o quilo. Do mesmo material da lembrança, até mesmo do mesmo números de sílabas, é feito o gosto duvidoso por broches com pedra topázio.
NÃO ACREDITO EM TANGO
Não, não está amassada sua Hering Kids num corpo de 20 anos. Você é a segunda pessoa que usa esse sofá com uma camiseta dessa coleção de mangas. Não, não é comum eu pensar que as pessoas são divididas e subdivididas por falar: ornar, ordenado, firma onde trabalho, ter cheiro de maquiagem por vencer em sábados a noite e domingos à tarde e ter botões encapados e perdidos em portas jóias-semi-novas. É um delírio construtivo. Precisava pensar em algo pouca coisa caótico enquanto você escrevia sobre mim em letras miúdas e debruçado ainda em sono.
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
SECOS, MOLHADOS E A GRANEL
Aos sete anos tentou, sem vão, construir um bar na esquina de casa. Lá venderia bebidas e Prestígio, porque o cara que usava chapéu e espora e por quem tinha se apaixonado bebia num bar de rodoviária com aquela arquitetura, naquele sábado. Ficou interessada nele algumas horas, depois passou. Passou na velocidade da disposição que tinha para arrumar suas coisas e dizer para a mãe, aos oito, que estava se mudando dali.
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
DEMOGRAFIA DE GABO
Quis voltar a Macondo, mas Macondo não mais existia. As três velhas fiandeiras, formando um puzzle desdentado, tinham prazer em dizer: Os últimos sonhadores fizeram as malas já tem um mês... E olha só como as crianças continuam cirandando como se nada nunca tivesse acontecido. Mas nada aconteceu para aquele que ainda espera até às sete para colocar a cadeira na calçada da esquina, mesmo tendo passado por ele tantas vezes a menina do vestido com flores e o rapaz de bermuda tentando acertar o passo. Os dois querendo saber com suas noções individuais de direção onde ficou Macondo, como a Paris daqueles dois de chapéu em preto e branco há muitos anos.
CHARUTOS E REVOLUÇÕES MAIS TARDE
Tinha ido tirar os últimos pentelhos de outrem do seu sabonete araxá, enquanto a algumas médias léguas dali ele bebia café no porto e ela se pirulitava com a caixa amassada do tal de araxá. Depois de sentir por dois momentos o cheiro quente do café dele, ela deduz:
- Está me esperando há muito tempo?
O marido ao largo, se preparando para embarcar com ela:
- A vida inteira.
Uma outra mulher como ela, sem ser ela, mas que deixou por aí cenários de despedidas como a dela:
- Precisa de algo?
Ele, que entrou na hora da pré-estréia:
- Claro, o coração para levar comigo e os lábios para beijar.
Pra fazer igual a cena antológica de HAVANA (Robert Redford e Lena Olin).
- Está me esperando há muito tempo?
O marido ao largo, se preparando para embarcar com ela:
- A vida inteira.
Uma outra mulher como ela, sem ser ela, mas que deixou por aí cenários de despedidas como a dela:
- Precisa de algo?
Ele, que entrou na hora da pré-estréia:
- Claro, o coração para levar comigo e os lábios para beijar.
Pra fazer igual a cena antológica de HAVANA (Robert Redford e Lena Olin).
domingo, 26 de outubro de 2008
terça-feira, 30 de setembro de 2008
PAPEL DE FAX
você tá com a cara do sabonete que ficou à deriva lá no banheiro. há dias tá fazendo às vezes de camomila e flores de algodão. essas coisas de nivea na promoção.
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
A BOLA AZUL E A VOLTA POR CIMA
Nesta madrugada, o Barbeiro de Sevilha passou pela veneziana. Convidei-o para sentar. Disse: não, muito obrigado. Figaro, figaro. Tinha esse cacoete de figaro, figaro, no final. - Garçom, uma cerveja. - Desce dois, desce mais. Arrá! Muda a posição do colchão. O Barbeiro de Sevilha continua a sevilhar meio vouyer. Apertei o play, vamos de novo. E ele: figaro, figaro.
BALADA MARXISTA
Se aquele progenitor da ordem dos barbudos estivesse vivo, rock - o lutador- seria para todas as pessoas igualitariamente. Entraria na ordem de importância do pão e do leite, ocuparia páginas e mais páginas, frente e verso de todos os receituários. Renovaria células mortas com a mínima amplificação e tiraria da mudez qualquer adolescente solitário e emudecido por Nietzsche. Hello, boa madrugada guarda da loja falida de jeans. Estoy indo de volta para casa. Não, não, obrigada. Não sei fazer bonito com bolacha de maisena. Ah, Secos e Molhados. Eu fumo e tusso fumaça de gasolina e não suporto mais brincar de sol e chuva com você. Cocaine blues. Tenho cãibra e quero água. Meninas groupies e fumaça de incenso massala providencial. Meia três quarto e lápis de olho de ponta gasta. Exército do Surf no ladrilho. Black Dog e “o diabo não é o pai do rock”, murmurou o Fer ouvindo músicas góspeis (plural de hino de igreja americana). Goooooooooood morning, Vietnã. Uauuuuu, I feel good. James Joyce? As três velhas sentadas a fiar. Palmito e chocolate diet. Barbiezinha. No fim da noite: 1,2,3 e 4. 1,2. 1.
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
MUITOS ALGOS E POUCA PRESSA
Quandofaltar12segundosparacomeçaraserofimestaráumemcadacantoolhandoparacimaàsuamaneira. Pessoas diferentes a esquerda, meninas de saia e homens com listras a direita. E cada dois olham para a mesma direção lembrando com vontade 35 dias atrás. Quatro anos mais tarde a mesma cena num dia nem tão típico assim, em flashes, às vezes, com pressa.
Assinar:
Postagens (Atom)
