Com muita cortesia, o mozart mandou tocar Gran Partita. Iurru!!!!.
Torça com unhas, dentes e pentelhos para que eu não me engrace com algum "grande ator emergente", com a melhor interpretação de hamlet que está por vir.
Comporte-se. Ouça boas músicas. Tome conta delas. Não limpe o nariz na toalha. Não beba no bico da garra, que eu descubro e importune o miles davis e sua senhora, para largar a mão de ser besta. Mande um beijo para quem vier nos visitar. Saiba o que fazer com a caixinha de bom parecer.
Saudações.
16/julho/2009
domingo, 8 de novembro de 2009
domingo, 27 de setembro de 2009
CATALOGAÇÃO
ele está na sala debruçado sobre a mesa escrevendo amenidades sobre mim com letras bem miudinhas. vez ou outra rabisca e começa de novo. é a tentativa de adeus mais orquestrada dessa última temporada. ele pede o papel, diz que tem a caneta e dá a entender que o bilhete é pra mim.
*
ele está deitado no chão, ouvindo the mamas & the papas e correndo os olhos sobre mim. dali a pouco vai dizer que não tem mais saco pra um monte de coisa, que esse seu tempo já passou. mas ela entende o que quer entender e diz que também se arriscou. cada um diz mais duas ou três coisas. depois de uma, duas ou quatro semanas ela dá adeus enquanto atravessa o corredor, para o adeus que ele tinha dito naquela noite de sexo tão solene.
*
ele está com os olhos rasos e um poema na cabeça. ela está com uma rave no estômago, com o livro do poema e zonza. ela diz: vou, ele observa. depois ela vai e o dia fica parado o dia todo às 9 em ponto da manhã.
*
ele está com roupa de gala e não me reconhece muito bem. ela está com roupa de gala e pede pra que ele comece. então ele diz adeus pelos dois. e o fim que chegou há um mês, chega de novo.
*
ele não veio se despedir. aliás, nunca se despede, nem quando vai embora. encosta os lábios no que tiver ao alcance e não se sabe se ele vai ali pegar o isqueiro ou se vai passar a luz de mel há 3000 km dali. então volta e meia eu me despeço por conta, para nunca mais ou até amanhã.
*
o tal do infinito enquanto dure.
*
ele está deitado no chão, ouvindo the mamas & the papas e correndo os olhos sobre mim. dali a pouco vai dizer que não tem mais saco pra um monte de coisa, que esse seu tempo já passou. mas ela entende o que quer entender e diz que também se arriscou. cada um diz mais duas ou três coisas. depois de uma, duas ou quatro semanas ela dá adeus enquanto atravessa o corredor, para o adeus que ele tinha dito naquela noite de sexo tão solene.
*
ele está com os olhos rasos e um poema na cabeça. ela está com uma rave no estômago, com o livro do poema e zonza. ela diz: vou, ele observa. depois ela vai e o dia fica parado o dia todo às 9 em ponto da manhã.
*
ele está com roupa de gala e não me reconhece muito bem. ela está com roupa de gala e pede pra que ele comece. então ele diz adeus pelos dois. e o fim que chegou há um mês, chega de novo.
*
ele não veio se despedir. aliás, nunca se despede, nem quando vai embora. encosta os lábios no que tiver ao alcance e não se sabe se ele vai ali pegar o isqueiro ou se vai passar a luz de mel há 3000 km dali. então volta e meia eu me despeço por conta, para nunca mais ou até amanhã.
*
o tal do infinito enquanto dure.
PORTA DA GELADEIRA
Quando eu os amarei?
De minha parte, eu não sei.
Pode ser nunca. Pode ser amanhã.
(Carmen, de Bizet)
De minha parte, eu não sei.
Pode ser nunca. Pode ser amanhã.
(Carmen, de Bizet)
terça-feira, 25 de agosto de 2009
VERDE Q-BOA.
Eu te vomitei, minha morte, junto com uma sopa de legumes mal cozidos. Vomito quantas vezes mais precisar que você saia, seu demônio de verde-veludo.
sábado, 15 de agosto de 2009
FM
adoro o coletivo "ramalhete" pronunciado silabicamente, às terças-feiras. do mesmo modo, recuso essa solidão de quando a luz se apaga eu de novo em casa sofrendo de amor por.. (leandro e leonardo).
segunda-feira, 29 de junho de 2009
domingo, 28 de junho de 2009
JÔ OLIVEIRA
Ele era daqueles velhos que a gente pensava que nunca ia sentir falta quando batesse com as caçuletas. Ralhava porque a gente guardava os bigatos de estimação na horta e gastávamos a água da bica lavando os porcos que estavam da cor do terrerão.
Todo dia ele falava:
- Espera chover pra lavar a roupa, muié. Espera chover pra tomar banho, menina. Que mania é essa de tanto beber água? – dizia ele.
Até quando ele tomava o remédio da pressão, fazia cuspe na boca pra não gastar água tendo que engolir o comprimidinho, que ele cortava em quatro partes pra durar mais. O povo lá do Imbé chamava ele de muquirana, nem sei o que é isso.
Um dia ele ficou com as vistas fracas, porque todo dia ele esquecia e relava a cabeça bem no pé de jabuticaba que tinha piolho de galinha, quando ia entrar na casa.
Daí a Candinha falava:
- Ahhhhh, o vô vai botar ovo na cabeça. Vô, cria um pintinho pra mim debaixo do seu chapéu?
E ele sempre no seu boquejar de velho que tá bravo:
- @#$%*&%$#@ - resmungava.
Um dia meu irmão fugiu de casa e minha mãe o encontrou almoçando na casa do velho. Ele tinha mandado fazer polenta com alface. Minha mãe falava que era porque ele não queria gastar o frango, mas eu achava mesmo que ele tinha medo que os frangos acabassem e ele tivesse que fazer ninho em cima do chapéu.
Um dia, dona Rosa acordou faceira como de costume e não ouviu ele boquejar. A história que a gente sabe é que Deus lá de cima falou que se ele morresse aquele dia não ia precisar pagar a viagem e nem o aluguel da casa celestial. Foi por isso que ele foi embora sem dar tchau.
Todo dia ele falava:
- Espera chover pra lavar a roupa, muié. Espera chover pra tomar banho, menina. Que mania é essa de tanto beber água? – dizia ele.
Até quando ele tomava o remédio da pressão, fazia cuspe na boca pra não gastar água tendo que engolir o comprimidinho, que ele cortava em quatro partes pra durar mais. O povo lá do Imbé chamava ele de muquirana, nem sei o que é isso.
Um dia ele ficou com as vistas fracas, porque todo dia ele esquecia e relava a cabeça bem no pé de jabuticaba que tinha piolho de galinha, quando ia entrar na casa.
Daí a Candinha falava:
- Ahhhhh, o vô vai botar ovo na cabeça. Vô, cria um pintinho pra mim debaixo do seu chapéu?
E ele sempre no seu boquejar de velho que tá bravo:
- @#$%*&%$#@ - resmungava.
Um dia meu irmão fugiu de casa e minha mãe o encontrou almoçando na casa do velho. Ele tinha mandado fazer polenta com alface. Minha mãe falava que era porque ele não queria gastar o frango, mas eu achava mesmo que ele tinha medo que os frangos acabassem e ele tivesse que fazer ninho em cima do chapéu.
Um dia, dona Rosa acordou faceira como de costume e não ouviu ele boquejar. A história que a gente sabe é que Deus lá de cima falou que se ele morresse aquele dia não ia precisar pagar a viagem e nem o aluguel da casa celestial. Foi por isso que ele foi embora sem dar tchau.
Folha Caipira
São José do Rio Preto
Há Alguns Anos
domingo, 10 de maio de 2009
PNEUMOTÓRAX
Os sapatos se encontram por debaixo da mesa, num contexto previsível de legenda rodrigueana. Os dois estão com pés de tango e vontade de o último deles, em Paris ou ali atrás daquela mobília que destoa do resto dos objetos do salão e aos olhos do muchacho que agora toca aquela milonga de Piazzola com Yo Yo Ma.Eles nem dançam agora. Ela quer sair dali antes que aquele guapo chegue às últimas notas, preferia aquele tango pela metade. Ela fugia a todas as regras civis presumidas para aquela dança que ele a ensinara todas as manhãs.
- Eram os pés mais provocantes que eu havia visto, pensava ele quase dizendo em voz alta.
- Você gosta do tango que está tocando?
- Muito.
- Eu não quero ficar aqui até o final desta música.
- Vou completar seu Campari.
- Não, já chega. Há algo de errado com o meu colo?
- Longe disso. Sua face esta tão suave ...
- Está um pouco quente aqui dentro, se não fosse este tango...
- Repare como as pessoas estão felizes.
- Olhe para aquele casal. Quantos anos você acha que eles têm?
- Parece que já os vi antes. Uns 30.
- Ela parece ter menos. Veja suas mãos como são delicadas.
- Sim. Ele deve amá-la e talvez não seja recíproco.
- Talvez ele a peça em casamento esta noite.
- Deve ter muitos pretendentes.
- Deve. Ela parece infeliz e também acho que não sabe dançar.
- Você percebeu que eles também nos olham atentos?
- Será que algum deles nos paquera?
(Seguro sua mão com calma, beijo sua boca da forma mais calma e provocante possível. Eles ficaram sem graça)
- Ela se levantou, deve ir buscar uma soda. Ela é estranha. Você acha ela bonita?
- Bonita e estranha. Mas uma beleza simples, porém inquieta.
- Eu não gosto de beleza como a dela, sabia?
- Note que ele fica perturbado quando ela sai. Talvez por medo ou insegurança.
- Ele é um bom rapaz, tem jeito de gostar de Fernando Sabino.
- Ele parece muito correto, veja seus cabelos alinhados.
- Quando eu me referi a beleza, quis dizer que a dela parece eterna. É uma beleza que não sai do lugar, não oscila.
(Te abraço um pouco mais forte e noto que seu ombro esquerdo esta gelado. Massageio com pressão)
- Deve ser o vento que entra pela porta.
- Eu te amo sabia?
- Você percebeu que está falando isso pela primeira vez?
- Guardei esta frase por tempos, na ânsia do melhor momento.
- Justo agora que ele toca aquela música que é triste.
- Tremi por dentro em dizê-la.
- Não trema, penso que te amo também.
- Sinta a música.
- Vamos dançar?
- Desejo ir embora depois dessa...
(Minha boca a toca paciente...)
- Você parece não estar a vontade dançando comigo.
- Não noto ninguém a nossa volta, o tempo quebrou-se. Há somente eu e você e os músicos lá em cima do palco.
- Tenho um pouco de medo de viver o amor.
- Acho que tenho medo de perde-lo.
- Por que não nos encontramos antes?
- Porque tínhamos que nos encontrar neste bar velho de esquina. Te contei que quando criança quis construir um bar na esquina da minha casa para vender Prestígio e Coca-Cola, porque o homem por quem me apaixonara minutos antes bebia num boteco de rodoviária com essas arquitetura?
- Não desvie. Essa música, você, o ambiente, as rosas lá na entrada. Tudo é tão fascinante.
- Por que será que as pessoas que estão lá no balcão nos encaram?
- Talvez seja nossa imagem de um casal apaixonado. Nossos beijos são constantes, as pessoas notam e as senhoras não gostam.
- Promete ir embora antes desta canção terminar? Não gosto de ponto final nestas melodias.
- Seu desejo talvez seja ficar.
- Melhor não, não hoje.
- Posso acompanhá-la até sua casa?
- Estou confusa e um pouco zonza. Posso pegar um táxi e ir sozinha?
(Agradeço ao gentil garçom)
- Já ia pedir pra agradecê-lo.
- Eu te levo, por favor.
- Ouça: preciso reconstruir tudo o que nos ocorreu esta noite. Quero fazer isso enquanto atravesso esta cidade que sempre está sozinha a essa hora da madrugada.
- Me senti um pouco estranho em devotar meu amor. Já te pertenço. Mesmo que ainda duvides. - Hoje quero mostrar a ela que tenho um amor...Até certo dia, doce rapaz.
- Seu encanto me fascina, sempre e sempre.
- Perdoe se agora te desaponto. O táxi já vem.
- Lutarei por tê-la. Não como amante, mas como uma estrela que se admira nas noites baixas e se guarda com as duas mãos.
- Sua garota já está longe, sussurra aquele senhor de paletó amassado.
- Um pedaço de mim se foi. Suspiro como se estivesse para morrer, mas me sinto leve. Jamais amarei pela metade. Deitado, abraçando o travesseiro repouso feliz.
(Quarta-feira, 2 de Abril de 2008)
Com Fábio Mascaro
terça-feira, 21 de abril de 2009
VOCÊ DORME AQUI DO LADO COM FONES DE OUVIDO
E você vai vir me buscar até a esquina porque eu não quero andar meio metro sozinha e vai xingar porque eu vou parar para erguer a alça da sandália e depois vai rir alto porque você arrotou e eu fiquei em fúria e depois você vai querer me levar de guarda-chuva até o bar da esquina com o céu estrelado só para as pessoas ficarem olhando e pensando assim: “Por que eles estão de guarda-chuva?”. Porque daí se as suas pernas um dia ficarem fraquinhas de tanto correr para apertar campainha e seu dedão ficar no asfalto porque chutou o sapato na casa de qualquer mulher rica voltando daquela boate, eu empurro a cadeira de rodas, o carrinho de rolimã ou a bicicleta do posto em Bauru para te levar comigo até ali. Vamos. Vamos ali, comigo? Me empresta a sua escova de dentes? Vamos lá na casa da árvore vê que sabor tem de Gudan Garang? E depois o dia em que você não puder ir até ali você diz sempre: “Eu te dou um chocolate depois” e daí eu falo: “Então tá”. E daí no dia seguinte você não trouxe o chocolate e falou: “Ah”. E porque também a gente estava esperando a chuva passar quando o plantão anunciou que aquele jornalista dono do meio de produção já era e sabe que eu sempre vou ter que te contar um bocado de coisas e esperar caindo no chão, rolando, dançando e rodando você dizer do computador da Prefeitura: “Todos os literatos, artistas, escritores e comunistas...” e eu falo: “Vai se ferrar” e você coloca mil risadas para eu saber que você está rindo bastante, mas daí quando eu começo a gritar de rir eu ligo aí para você saber que eu estou gargalhando alto e porque então, nesse caso, você não precisa disfarçar que é um geólogo, um médico em apuros para gravar suas teses no convívio de tantos burocratas-aspones-da-prefeitura, porque ai, porque eu quero nunca ter bolhas nos pés para sempre que vê-lo poder correr em disparada!!!!!!!!
sábado, 11 de abril de 2009
sexta-feira, 10 de abril de 2009
SUPER PLA
Depois de fugir de pinguins gigantes e aveludados, que o companheiro do lado pensou ser uma cegonha, e membros da ku klux klan pelo telhado, eu liguei pra você. você apareceu na minha frente pra atender a ligação (adoro sonho) e disse assim: nunca mais ligue, nunca mais não sei o quê e não sei o que lá e mais uma sequência de chicotadas no meio fio. depois passou atrás de mim, com o dedo em passeio pelas minhas costas, derretendo margarinaxpão.
segunda-feira, 23 de março de 2009
SÓ, SOMENTE SÓ
eu quero a paz de unhas descascadas, pentelhos com vida, calcinha cor de coador de café e um banho um dia e meio depois, por alguns dias. quero e é só.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
EU HOJE SOU A VELHA A FIAR
Vieram me tomar mais um pouco dessa boa vida que te quero tanto, que te quero verde.
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
COM QUANTOS SILÊNCIOS ADIA-SE UM ADEUS?
hoje eu passei lima na língua. fui no bloco dos sem fantasia. soltei perdigotos, errei a letra da marcha, caiu fanta na tule do meu vestido, grudou confete na minha testa. é 1992 e eu ainda quero estar na porta quando ele começar com vassourinhas. pam parãrãrãrãrã pam pam pam pãrãrãrãrã. ainda tem brilho vermelho, new wave azul e confetes por baixo do taco da velha casa. e agora, menina, tão dizendo por aí que esse samba foi o último. mas eu ainda lembro do primeiro que o vô cantarolava assim, feito canção lullaby: entrei no samba sem ninguém me conhecer, mas quando eu estava no melhor da batucada olêolê, eu vi a cuíca gemer...
nada dura mais do que lantejoulas na hora da dispersão, melão na xepa e lingerie de tule.
nada dura mais do que lantejoulas na hora da dispersão, melão na xepa e lingerie de tule.
sábado, 21 de fevereiro de 2009
O CONFETE DE TODOS OS BLOCOS TEM O MESMO CHEIRO
tem sido assim
você não quer dançar essa e eu não gosto do bico desse seu sapato
eu piso no seu pé e você atrapalha esse meu passo
depois seu dente entra no meu cabelo
sua pele está no meu vestido
e está aqui sua cara amassada
pra tudo existem duas bolas de aspirina
um espirro
e um até logo
você não quer dançar essa e eu não gosto do bico desse seu sapato
eu piso no seu pé e você atrapalha esse meu passo
depois seu dente entra no meu cabelo
sua pele está no meu vestido
e está aqui sua cara amassada
pra tudo existem duas bolas de aspirina
um espirro
e um até logo
sábado, 7 de fevereiro de 2009
CREAM CRACKER
Deram uma roupa transparente e com veias de lagartixa para um anão policial me espiar. Ele se finge de moribundo. Descobri isso quando ele saiu para ir ao banheiro e não estava a postos quando eu surgi no mesmo ambiente que ele. Voltou pouco depois que eu voltei do banho. Inerte. Atrás da sandália 37 da Iara. Quer que eu acredite que uma de suas patas foi amputada durante a operação. A noite ele corre beijar minha boca que dorme e não sente suas patas macias andar sobre ela.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
DAS COISAS QUE ESTÃO POR VIR E/OU DO NÃO-MEDO EM ACEITÁ-LAS DITAS
QUERO
Quero que todos os dias do ano
todos os dias da vida
de meia em meia hora
de 5 em 5 minutos
me digas: Eu te amo.
Ouvindo-te dizer: Eu te amo,
creio, no momento, que sou amado.
No momento anterior
e no seguinte
como sabê-lo?
Quero que me repitas até a exaustão
que me amas que me amas que me amas.
Do contrário evapora-se a amação
pois ao dizer: Eu te amo
desmentes
apagas
teu amor por mim.
Exijo de ti perene comunicado.
Não exijo senão isto,
isto sempre, isto cada vez mais.
Quero ser amado por e em tua palavra
nem sei de outra maneira a não ser esta
de reconhecer o dom amoroso,
a perfeita maneira de saber-se amado
amor na raiz da palavra
e na sua emissão,
amor
saltando da língua nacional,
amor
feito som
vibração espacial.
No momento em que não me dizes:
Eu te amo,
inexoravelmente sei
que deixaste de amar-me,
que nunca me amaste antes.
Se não me disseres urgente repetido
Eu te amoamoamoamoamo
verdade fulminante que acabas de desentranhar,
eu me precipito no caos,
essa coleção de objetos de não-amor.
Carlos Drummond de Andrade
Quero que todos os dias do ano
todos os dias da vida
de meia em meia hora
de 5 em 5 minutos
me digas: Eu te amo.
Ouvindo-te dizer: Eu te amo,
creio, no momento, que sou amado.
No momento anterior
e no seguinte
como sabê-lo?
Quero que me repitas até a exaustão
que me amas que me amas que me amas.
Do contrário evapora-se a amação
pois ao dizer: Eu te amo
desmentes
apagas
teu amor por mim.
Exijo de ti perene comunicado.
Não exijo senão isto,
isto sempre, isto cada vez mais.
Quero ser amado por e em tua palavra
nem sei de outra maneira a não ser esta
de reconhecer o dom amoroso,
a perfeita maneira de saber-se amado
amor na raiz da palavra
e na sua emissão,
amor
saltando da língua nacional,
amor
feito som
vibração espacial.
No momento em que não me dizes:
Eu te amo,
inexoravelmente sei
que deixaste de amar-me,
que nunca me amaste antes.
Se não me disseres urgente repetido
Eu te amoamoamoamoamo
verdade fulminante que acabas de desentranhar,
eu me precipito no caos,
essa coleção de objetos de não-amor.
Carlos Drummond de Andrade
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
ADÍOS, MI MUCHACHO
ó o ney, ó o ney:
é bom não falar muito que piora
enfim
sempre que alguém daqui vai embora dói bastante,
mas depois melhora e com o tempo...
nada dura mais que um arrepio
fim da série
é bom não falar muito que piora
enfim
sempre que alguém daqui vai embora dói bastante,
mas depois melhora e com o tempo...
nada dura mais que um arrepio
fim da série
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